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Dra. Alda Libardi

Conteúdo · Menopausa Pós-Câncer

Menopausa Pós-Câncer

Menopausa depois do câncer: o que conversar com o médico

Muitas mulheres ouvem que, depois do câncer, não podem nada para os sintomas da menopausa. Essa não é a resposta inteira.

Por Dra. Alda Libardi · CRM-ES 11295 • RQE 7207 6 min de leitura

Uma parte das mulheres que atendo chega encaminhada por oncologistas e mastologistas. Elas têm uma história em comum: venceram o câncer, mas ficaram com a menopausa depois do câncer como uma segunda batalha, para a qual quase ninguém as preparou. Calor intenso, sono destruído, dor na relação, humor no chão. E, quando perguntaram o que fazer, muitas ouviram uma frase curta: com o seu histórico, não pode nada.

Este texto existe para dizer que essa frase não é a resposta inteira. Não é para prometer nada, porque cada caso é um caso e a decisão é sempre individual e compartilhada com a equipe oncológica. É para explicar por que a menopausa chega com o tratamento, quais são os sintomas mais comuns e o que vale a pena conversar com o seu médico.

Por que a menopausa chega com o tratamento oncológico

Vários tratamentos contra o câncer afetam os ovários ou a ação dos hormônios no corpo. Quando isso acontece, a mulher pode entrar na menopausa de forma abrupta, muitas vezes anos antes do que aconteceria naturalmente.

  • Quimioterapia: alguns medicamentos reduzem ou interrompem a função dos ovários. Em algumas mulheres isso é temporário, em outras, definitivo.
  • Cirurgia: a retirada dos ovários, indicada em alguns tipos de câncer, leva à menopausa imediata.
  • Radioterapia na região pélvica: pode comprometer a função ovariana.
  • Bloqueio hormonal: medicamentos usados em alguns cânceres de mama reduzem a ação do estrogênio no corpo, o que produz sintomas de menopausa mesmo quando os ovários ainda funcionam.

A diferença em relação à menopausa natural é a velocidade. Na transição natural, o corpo tem anos para se adaptar à queda gradual dos hormônios. No tratamento oncológico, a queda pode acontecer em semanas. Por isso os sintomas costumam ser mais intensos.

Os sintomas mais comuns da menopausa depois do câncer

São os mesmos sintomas do climatério, em geral com mais intensidade, e chegando em um momento em que a mulher já está esgotada pelo tratamento.

  • Ondas de calor e suores noturnos frequentes e fortes.
  • Insônia e despertares na madrugada.
  • Ressecamento vaginal, dor na relação sexual e queda do desejo.
  • Alterações de humor, ansiedade, irritabilidade e tristeza.
  • Cansaço, dores articulares e sensação de que o corpo envelheceu de uma vez.
  • Sintomas urinários, como urgência e infecções que se repetem.

Além do que se sente, a menopausa precoce tem efeitos silenciosos: a perda de estrogênio por muitos anos afeta a saúde dos ossos e do coração. Isso faz parte do que precisa ser acompanhado, mesmo quando a mulher não tem queixa.

Por que ouvir que não pode nada não é a resposta inteira

A frase tem uma origem compreensível. Em alguns tipos de câncer, especialmente os que dependem de hormônio para crescer, a terapia hormonal sistêmica de fato não é indicada. O oncologista tem razão em ser cauteloso, e nenhuma decisão deve ser tomada contra a orientação dele.

O problema é quando a cautela sobre um tipo de tratamento vira uma negativa sobre qualquer cuidado. Porque existe muito entre a terapia hormonal sistêmica e o nada.

  • Existem tratamentos não hormonais para sintomas específicos, como as ondas de calor e a insônia.
  • Existem cuidados locais para o ressecamento e a dor na relação, que atuam na região sem o mesmo efeito no corpo inteiro. A indicação depende do tipo de câncer e deve ser discutida com o oncologista.
  • Existe o acompanhamento da saúde dos ossos, do coração e do metabolismo, que precisa acontecer independentemente de qualquer tratamento para sintomas.
  • E existe, em alguns casos e sempre em parceria com a equipe oncológica, a discussão sobre outras possibilidades, com base no tipo de câncer, no tempo desde o tratamento e na situação atual.

A pergunta certa não é posso ou não posso. É: o que, no meu caso específico, é possível avaliar com segurança?

O que é possível avaliar em parceria com o oncologista

Quando uma mulher com histórico oncológico chega ao meu consultório, a avaliação começa por entender a história inteira: qual foi o câncer, qual o tratamento, há quanto tempo, como está o acompanhamento oncológico, o que ela está usando hoje e o que ela sente.

A partir daí, o cuidado é construído em três frentes: aliviar o que incomoda, com as opções compatíveis com o seu caso; acompanhar a saúde que a falta de estrogênio afeta a longo prazo; e explicar tudo, para que você participe das decisões com conhecimento. E cada passo é comunicado ao oncologista, porque o cuidado é de uma equipe, não de um médico só.

Como se preparar para essa conversa

Leve estas informações e estas perguntas à consulta, seja com o oncologista, seja com o ginecologista.

  • O tipo exato de câncer, o estágio e o resultado dos exames que definem se ele depende de hormônio (o seu oncologista tem esse dado).
  • Todos os tratamentos realizados, com datas, e o que você usa hoje.
  • Uma lista dos sintomas que mais atrapalham a sua vida, do pior para o mais leve.
  • Pergunta: quais opções não hormonais existem para os meus sintomas?
  • Pergunta: como vamos acompanhar os meus ossos e o meu coração nos próximos anos?
  • Pergunta: vocês dois, oncologista e ginecologista, podem conversar sobre o meu caso?

A última pergunta é a mais importante. Quando os dois médicos se comunicam, a mulher para de ser a mensageira entre eles e passa a ser cuidada por uma equipe.

Um lugar para esse cuidado

Foi a partir dessas mulheres que nasceu o Programa Reviver, um acompanhamento ginecológico e hormonal, online, para quem passou por tratamento oncológico e quer qualidade de vida com segurança. O programa está em estruturação e as vagas serão abertas primeiro para quem estiver na lista de espera.

Se você preferir começar por uma consulta individual, veja como funciona a consulta. E se você é oncologista ou mastologista e acompanha pacientes nessa situação, a página do programa tem um canal para contato profissional.

Perguntas frequentes

Quem teve câncer de mama pode fazer terapia hormonal na menopausa?

Na maioria dos casos de câncer de mama que depende de hormônio, a terapia hormonal sistêmica não é indicada. Mas existem opções não hormonais e cuidados locais que podem ser avaliados. A decisão é individual e sempre compartilhada com o oncologista.

A menopausa causada pela quimioterapia é definitiva?

Depende da idade, do medicamento e da dose. Em algumas mulheres a função dos ovários volta meses depois do tratamento; em outras, a menopausa é definitiva. O acompanhamento ao longo do tempo é o que define.

Os sintomas da menopausa depois do câncer são mais fortes?

Com frequência, sim. Como a queda dos hormônios é abrupta, o corpo não tem tempo de se adaptar, e os sintomas tendem a ser mais intensos do que na menopausa natural.

Existe tratamento não hormonal para as ondas de calor?

Sim. Existem opções não hormonais que podem ser avaliadas para sintomas específicos. Um ginecologista dedicado ao climatério, em conjunto com o oncologista, pode indicar o que é compatível com o seu caso.

Menopausa precoce depois do câncer afeta os ossos?

A perda de estrogênio por muitos anos está associada à perda de massa óssea. Por isso o acompanhamento da saúde dos ossos faz parte do cuidado, mesmo sem sintoma.

Aviso

As informações deste artigo têm caráter educativo e não substituem a consulta médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Se você quer entender o que está acontecendo com o seu corpo, o próximo passo é entender como funciona a consulta.

Entender como funciona a consulta
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